Botânica

Ginkgo biloba: ameaçado na natureza, cultivado em todo o mundo

Uma espécie rara em estado selvagem e omnipresente nas ruas das cidades. As duas coisas explicam-se uma à outra.

Numa lista de ingredientes o ginkgo aparece como mais um nome. Mas essa linha corresponde a uma árvore com uma biografia invulgar: é a única sobrevivente de uma ordem inteira de plantas, está classificada como ameaçada e, ao mesmo tempo, existe aos milhões em parques e avenidas. Esta página descreve o que se sabe da espécie — e diz no fim o que daí não se pode concluir.

Uma espécie viva de uma linhagem muito antiga

Os Ginkgoales foram um grupo diversificado durante a era mesozóica, com várias espécies espalhadas por grande parte do hemisfério norte. O registo fóssil mostra folhas em forma de leque em camadas com mais de cem milhões de anos. Desse grupo inteiro sobreviveu uma única espécie, sem parentes vivos próximos.

Porque está classificado como ameaçado

A Lista Vermelha da União Internacional para a Conservação da Natureza classifica Ginkgo biloba como espécie ameaçada. A razão não é falta de árvores no mundo — há milhões — mas o número muito reduzido de populações que crescem sem intervenção humana. Os núcleos considerados naturais ou semi-naturais situam-se em áreas montanhosas da China.

Uma espécie dióica: árvores masculinas e femininas

O ginkgo tem exemplares de sexos separados. As árvores femininas produzem sementes envolvidas numa polpa carnuda que, ao cair e apodrecer, liberta um cheiro muito desagradável, devido a ácidos gordos de cadeia curta. É por isso que nas ruas se plantam quase sempre clones masculinos — uma decisão de jardinagem urbana que explica por que quase ninguém vê as sementes.

Do estado selvagem ao cultivo em vários continentes

A difusão começou há mais de mil anos na China e no Japão, ligada a templos e mosteiros, e chegou à Europa no século XVIII. A resistência da espécie à poluição, à compactação do solo e a pragas fez dela uma das árvores de alinhamento mais plantadas do mundo, de Tóquio a Nova Iorque.

Porque existem plantações dedicadas à colheita de folhas

A folha de ginkgo é uma mercadoria agrícola com procedimentos próprios: árvores mantidas baixas, plantadas em fileiras densas, colhidas de forma mecanizada enquanto a folha ainda está verde. Não se recolhe de árvores selvagens nem de exemplares urbanos — nem em quantidade, nem com qualidade uniforme.

China, França e Estados Unidos: cultivo documentado

Existem plantações de grande escala documentadas na China, no sudoeste de França e no sudeste dos Estados Unidos. São explorações agrícolas convencionais, com ciclos de poda e colheita anuais, muito diferentes da imagem de uma árvore centenária que a palavra “ginkgo” costuma evocar.

Os ginkgos que sobreviveram em Hiroshima

É o episódio mais citado a propósito desta espécie: alguns exemplares a curta distância do hipocentro sobreviveram à explosão de 1945, rebentaram na primavera seguinte e continuam de pé. São registados como árvores sobreviventes e há programas que propagam os seus descendentes para outros países.

O que as plantações não permitem concluir sobre o UroActive

Aqui vem a parte que interessa a quem lê um rótulo, e é uma parte negativa. Que existam plantações de folha não significa que o ginkgo desta embalagem seja folha, nem que venha de plantação. O rótulo indica apenas o nome da planta — sem espécie detalhada, sem parte utilizada, sem quantidade e sem origem. Tudo o resto seria dedução nossa, e uma dedução escrita como facto é exactamente o que faz um comprador duvidar do resto da página.

O que se pode perguntar antes de encomendar

A parte da planta, a quantidade, o lote e o prazo de validade são perguntas legítimas para o telefonema de confirmação. Se a resposta não chegar, isso também é informação — e a encomenda não segue enquanto não for confirmada por telefone.

Porque aqui não se fala de efeitos

Ginkgo, maca e epilóbio estão entre as plantas cuja avaliação europeia de alegações de saúde não está concluída. O Tribunal de Justiça da União Europeia confirmou em 2025 que essa situação não abre excepções: enquanto uma alegação não estiver autorizada, não pode ser usada na rótulagem, na apresentação nem na publicidade.

Fontes

  1. Lista Vermelha de Espécies Ameaçadas da UICN — ficha de Ginkgo biloba L.: categoria, tendência populacional e distribuição natural.
  2. Plants of the World Online, Royal Botanic Gardens, Kew — Ginkgo biloba L. (Ginkgoaceae): nome aceite, distribuição nativa e introduzida.
  3. Royal Botanic Gardens, Kew — página de espécie dedicada ao ginkgo: morfologia, história do cultivo e conservação.
  4. Global Biodiversity Information Facility (GBIF) — registos de ocorrência de Ginkgo biloba.
  5. Lin et al. (2022), International Biological Flora: Ginkgo biloba, Journal of Ecology — monografia ecológica da espécie.
  6. Estudos genómicos e filogeográficos da espécie — identificação de refúgios glaciares em áreas montanhosas da China.
  7. Revisões paleobotânicas sobre os Ginkgoales — diversidade no Mesozóico e declínio subsequente.
  8. Literatura agronómica sobre o cultivo intensivo de ginkgo para colheita de folha — densidade de plantação, poda e época de colheita.
  9. Documentação sobre plantações comerciais na China, em França e nos Estados Unidos.
  10. University of Oxford Botanic Garden — material sobre as árvores sobreviventes de Hiroshima e a propagação dos seus descendentes.
  11. Registos municipais de Hiroshima sobre as árvores sobreviventes (hibakujūmoku).
  12. Encyclopædia Britannica — verbete “ginkgo”: posição sistemática, dioecia e características da folha.
  13. Regulamento (UE) n.º 1169/2011 relativo à prestação de informação aos consumidores sobre os géneros alimentícios — art. 18.º e anexo VII.
  14. Regulamento (CE) n.º 1924/2006 relativo às alegações nutricionais e de saúde — âmbito: rótulagem, apresentação e publicidade.
  15. Tribunal de Justiça da União Europeia, acórdão de 30 de abril de 2025, processo C-386/23 — alegações sobre botânicos pendentes de avaliação.